segunda-feira, 10 de junho de 2013

Individualismo não é Egoísmo

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Nossos ouvidos recebem de forma negativa a palavra individualismo porque a confundimos com egoísmo, um vício que condenamos mesmo quando vive dentro de nós. Porém não é bom aceitar como verdade absoluta tudo o que aprendemos na infância. Convém refletir a respeito daquilo que pensamos saber. 

O individualismo está relacionado à individualidade, ou seja, à capacidade de se reconhecer como unidade, ainda que integrada a um contexto maior – a família, o país, o planeta. Somos indivíduos com peculiaridades próprias, uma parte única em um universo composto de pessoas diferentes que partilham interesses comuns.

O individualismo considera legítimo cuidar dos próprios interesses – o que não significa, em hipótese alguma, prejudicar os direitos daqueles que nos cercam. O individualista tem uma noção clara dos seus limites. Sem essa consciência da fronteira que separa os direitos alheios dos seus, ele não conseguiria se distinguir do todo e perderia seu individualismo. 

Nossa sociedade valoriza intensas trocas de sentimentos e idolatra as pessoas que se doam sem medida e incondicionalmente. Então, o individualista, que não se entusiasma em trocar, é visto com reservas. Trata-se de alguém que não espera muito dos outros e prefere dar pouco de si. Esse comportamento não é egoísmo, embora as pessoas cujas expectativas ele deixa de atender o vejam dessa forma. 

Egoístas são os que defendem profundas trocas de experiências entre as pessoas para tirar vantagem, já que exigem muito e dão pouco. Como não sobrevivem sem isso, acusam de egoísmo quem não aceita as regras desse jogo de dar muito e receber pouco. O alvo em geral são os individualistas, que não se prestam a esse tipo de manobra. Aos egoístas não resta outra saída a não ser se aproveitar dos generosos – aqueles que não se importam em receber muito menos do que seu empenho em doar mereceria. 

O egoísta diz eu me amo e gosta de apregoar que consegue suprir as próprias necessidades e ficar bem consigo mesmo. O objetivo desse discurso é esconder a vergonha que sente de sua total dependência – de atenções, de proteção, de companhia. Se fosse independente de fato, não precisaria tirar vantagem dos relacionamentos. Na verdade, gostaria de ser individualista, de ter força suficiente para bastar a si mesmo, de aguentar com dignidade as dores inerentes à vida, de poder escolher entre trocar ou não experiências. O individualista possui essa força, enquanto o egoísta o imita exibindo uma energia que não possui. 

Por isso, o egoísta se apropria daquilo que não lhe pertence: precisa guardar uma cota extra para suprir sua incompetência em lidar com a vida. Faz isso não porque seja mau-caráter, mas porque é um fraco. Conhece suas limitações emocionais e padece de inveja dos que são verdadeiramente independentes. Tenta incorporar suas atitudes e até convence muita gente de sua independência. Mas não engana a si mesmo.



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 Our ears receive in a negative way the word individualism because we confuse it with selfishness, and addiction that we condemn even if it is living inside of us. However it is not good to accept as an absolute truth everything we hear when children. It is convenient to reflect about what we think we know. 
Individualism is related to individuality, I mean, the capacity to recognize yourself as a unity, even if it is integrated to a higher context – the family, the country, the planet. We are individuals with particular peculiarities, a unique part in a universe made of different people who share common goals. 
Individualism considers legitimate to take care of your own interests – which doesn’t mean, in any way, to harm the rights of those who are around us. The individualist has a clear notion of your limitations. Without this awareness of the border which separates the rights of the other from yours, it wouldn’t be able to distinguish itself from the whole, and would lose its individualism. 

Our society values intense exchange of feelings and idolizes people who give themselves unconditionally. So, the individualistic, who is not an enthusiast in exchanging, is seen with reservations. It is someone who doesn’t expect much from the others and prefers give only a little of himself. This behavior is not selfishness, despite the people whose expectations he doesn’t answer see him this way. 

Selfish are the ones who defend deep experience exchange among people to take advantage, considering they demand a lot and give a little. As they don’t survive without this, they accuse of selfishness who doesn’t accept the rules of this game of giving a lot and receiving a little. The targets in general are the individualistic, who don’t accept this kind of manipulation. To the selfish there’s no other way out except take advantage of the generous – those who don’t mind receiving much less than their interest in giving would deserve. 

The selfish says I love myself and likes to brag about the fact he can supply his own needs and be ok with himself. The objective of this discourse is hiding the shame he feels of his complete dependence – of attention, of protection, of company. If he was really independent, it wouldn’t be necessary to take advantage of the relationships. Indeed, he would like to be individualistic, to be strong enough to be self-sufficient, bearing with dignity the pain inherent to life, to be able to choose between exchange or not. The individualistic has this strength, while the selfish imitates him showing off an energy he doesn’t have. 

Because of this, the selfish confiscates something that is not his: he needs to keep some extra share to supply his incompetence in dealing with life. He does so not because he is unprincipled, but because he is weak. He knows his emotional limitations and suffers from jealousy of those who are truly independent. He tries to incorporate his attitudes and even convinces a lot of people of his independence. But he can’t deceive himself.


Por : Flávio Gikovate



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