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terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Depressão. O que faz a vida parecer tão sem sentido?

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Muitos de nós consideramos a depressão um tempo sombrio, uma página vergonhosa de nossa história, uma doença que aleija a alma.
“O que faz a vida parecer tão frequentemente sem sentido a uma pessoa?” Esta é uma pergunta que você já pode ter se feito durante algum tempo, ou que esteja se fazendo agora. O que para os pássaros é a muda – época em que trocam de plumagem, os tempos difíceis –, a depressão é para os seres humanos. Talvez tenhamos um conceito muito negativo desta que se tornou a doença dos últimos tempos. Por isso, gostaria de propor-lhes uma visão diferenciada, um outro modo de encarar o que para nós possa ser sinônimo apenas de fracasso. Acredito que muitos frutos podem ser colhidos nesse tempo; lembro-me agora de algumas frutas próprias do inverno e de como alegram os dias chuvosos e sombrios. Passada essa época, permanece a lembrança, não das chuvas e do frio, mas dos frutos da estação.
Porém, antes de falarmos mais sobre este assunto, é imprescindível estabelecer a diferença entre a depressão de caráter endógeno ea depressão decorrente de lutas e angústias, que também podemos chamar de psico-espiritual. Esta definição é necessária, pois o nosso objetivo é tratar apenas desta.
As depressões endógenas podem ser desencadeadas por um fator psicológico, mas são condicionadas bioquimicamente e até hereditariamente alicerçadas. Nesse caso, é preciso uma farmacoterapia adequada e acompanhamento médico. Pode acontecer, inclusive, que esse tipo de depressão não esteja vinculado a nenhuma crise pessoal ou estressor social. Por exemplo, uma pessoa depressiva que traz em sua história familiar a depressão em gerações anteriores, ou que apresenta um déficit de serotonina, quando está livre da crise, consegue dedicar-se ao seu sentido de vida. Mas existem também os casos em que os dois tipos de depressão vêm juntos.
Vejamos agora o que é a depressão psico-espiritual, que tem acometido tantas pessoas, independentemente de faixa etária, nível sócio-econômico, profissional e religioso. Segundo Victor Frankl, psicoterapeuta existencialista, essa depressão é causada por um vazio existencial, decorrente de uma falta de sentido de vida, podendo ser encontrado por trás de uma vida profissional excessiva, no refúgio de uma atividade desportiva, na fuga para o mundo dos romances ou televisão, nos fenômenos psicológicos de massa, no decaimento psicofísico dos aposentados, na necessidade de nunca se deixar descansar ou na febre de novas ações e novas experiências. Esse vazio não chega a ser uma enfermidade, salvo quando acompanhado por sintomas na dimensão psicofísica, mas provoca um quadro depressivo – apatia, desânimo generalizado, desinteresse por tudo ao redor, podendo causar inclusive o suicídio –; adição – desespero frente ao tempo,corre-se atrás de um relógio, sem nunca parar, com receio de enfrentar seu próprio vazio –; e agressividade – pode ser explícita, como a que vemos tomar as manchetes de jornais de todo o mundo, e implícita, presente nos relacionamentos, nas discussões no trânsito etc.).
Pronto! agora que você já sabe do que se trata a depressão, podemos voltar a falar de um assunto mais interessante: do inverno e dos frutos, dos pássaros e suas plumagens… Você já havia pensado na depressão como algo assim? Olhando-a desta maneira, não nos parece tão terrível, não é mesmo?!
Muitos de nós consideramos a depressão um tempo sombrio, uma página vergonhosa de nossa história, uma doença que aleija a alma. Difícil considerá-la um tempo de crescimento, de maturidade, de transformação… Será por causa da pergunta que se faz? Aquela acerca do sentido da vida? Afinal, reconhecer-se confuso, admitir que o mundo não lhe satisfaz, que a felicidade é simples, que o trabalho não lhe preenche, não é lá muito fácil! É preferível não mexer nisso, vestir o luto e ver no que vai dar. Sim ou não?! Não. Vejamos o porquê: a depressão enquanto condição humana, se bem orientada, deve conduzir o ser humano à tomada de consciência da sua própria vida e do seu sentido último (nada de fugir de si mesmo!). Quando isso acontece, estamos falando de maturidade espiritual, uma vez que é reconhecida a necessidade de orientar-se para Alguém que o transcende – para quem fomos criados), para uma missão a realizar e/ou uma pessoa a conhecer e amar. Isso é próprio do ser humano, é uma lei inscrita em seu coração, não dá para negar esta verdade. Temos desejo de Deus.
Consideremos, então, a depressão uma prova que o Senhor nos envia. Não são todos os que o Senhor decide provar desta maneira, mas, permito-me dizer, que os escolhidos por Ele são dotados de muita coragem, pois a crise consiste em admitir que se está vazio e que é preciso encher-se; que se tem sede e precisa-se de água, e para isso é preciso romper com muitas coisas, como fez a samaritana. “Deus tem sede que tenhamos sede dele”, já dizia Santo Agostinho. Se conseguirmos entender a depressão desta forma, aceitaremos este meio que o Senhor escolheu para nos amar, e todo o vazio será ocupado por Sua presença que se encarregará de dar sentido à nossa vida. Mas, se buscamos um motivo fora de nós para tamanha tristeza e melancolia, muito pouco Deus poderá fazer por nós, uma vez que nos recusamos aceitar que temos sede Dele.
Termino com uma citação de Santa Teresinha, intercedendo a Deus por você, que passa hoje por esta dor. Não esqueça: Ele não nos prova acima de nossas forças.
“É preciso que Deus nos ame com um amor todo particular para provar-nos desta maneira. Não percamos a provação que o Senhor nos envia, ela é uma mina de ouro a ser explorada, será que vamos perder a ocasião?”
Juliana Lemos
Psicóloga

Cuidado com o vazio de uma vida vazia demais

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Há tempos que tenho visto a seguinte frase circular pela internet: "Tome cuidado com o vazio de uma vida ocupada demais". E ela não fez sentido pra mim. Explico o porquê.
Quando eu era pequena, eu odiava ficar à toa. Cheguei a inventar uma forma de protesto no momento que não tinha uma brincadeira ou uma ocupação, criei uma personagem: a “rainha do não ter o que fazer” (até hoje minha mãe guarda uma foto disso). Eu me frustrava por ter que "só descansar" no fim de semana. Eu precisava inventar algo novo. Desde então, sempre fui mestre em me manter ocupada.
Colocar a mão na massa é viciante. Há quem diga o seguinte — e eu assino embaixo — que: o quanto mais coisas você tem pra fazer mais você faz. E às vezes até melhor.
Eu já cheguei a participar como autora de 4 blogs. Ao mesmo tempo. É fato que hoje já estou um pouco mais sossegada e aprendi a dizer alguns nãos. Afinal, a gente definitivamente é apenas ser humano e a vida adulta já nos dá bastante trabalho pra fazer. Mas, tem coisa melhor do que a sensação de dever cumprido?
Também não gosto de “gastar” uma tarde livre dormindo. Dormir de tarde só se tiver doente. Ou muito exausta. Dormir é perder horas que eu poderia estar realizando outras coisas. E tem tanta coisa pra ser feita! (Se você gosta de dormir tudo bem também, eu não vou te julgar, tá?)
Com certeza você já deve ter ouvido por aí aquela frase que diz: "mente vazia é oficina do diabo", e ela faz muito sentido. Se você se mantém ocupado — não por obrigação — mas com aquilo que você gosta, você direciona o seu pensamento para isso e não sobra tempo pra criar coisas ruins na mente e remoer problemas. Você simplesmente deita a sua cabeça no travesseiro a noite com aquele cansaço bom, um cansaço que valeu a pena.
“Não basta ser ocupado. A pergunta é: estamos ocupados com o quê?” Henry David Thoreau.
Por isso, se você não quer viver uma vida vazia, fica a dica: encontre aquilo que te tira do chão, que faz acender aquele calorzinho no coração, que te faz ter vontade de levantar na cama pela manhã. Preencha seus dias com satisfação, não precisa ser necessariamente no emprego, mas pode ser um hobby, um esporte novo, um projeto ou o que quer que seja. Complete a si mesmo e transborde-se ❤

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