quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Meu marido é muito autoritário, me trata mal, mas não dou conta de me separar dele. Por que é tão difícil ?

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São centenas de casos semelhantes à leitora acima. O medo e a dificuldade da separação estão no coração de quase todas as pessoas. Quando falamos a palavra separação logo vem à nossa cabeça várias associações: dor, tristeza, mágoa, abandono, perda, fracasso, choro, despedida. Raramente nos damos conta que separação significa basicamente, escolha. Separar o joio do trigo.
Separar grão por grão do arroz. A dificuldade começa com um grande medo: -
Será que meu sofrimento sem a pessoa que me faz sofrer será ainda maior?
Ruim com ele, pior sem ele.
A ansiedade decorrente da possibilidade de perder alguém, ainda que seja alguém semelhante ao marido da Valéria, sempre está presente. Por isso, tantas dúvidas. Será este o momento de desistir do relacionamento? No começo o nosso relacionamento era tão bom.
Será que não pode voltar a ser como era?
Além de todas essas questões ainda surgem o receio da crítica de terceiros, principalmente da família e o grande medo da solidão e do desconhecido. O medo nos mantém presos a situações dolorosas, a pessoas que nos dominam e torturam, mais do que o amor.
MEDO DO DESCONHECIDO – Na nossa busca incessante por segurança, permanência e estabilidade, temos a tendência a nos prender a tudo que já é conhecido e a temer o inesperado, o que ainda não controlamos. Há um certo conforto em ficarmos acomodados a situações que nos fazem sofrer mas que são conhecidas. É a chamada zona de conforto. Preferimos a dor do conhecido à possibilidade do prazer. Todos tendemos à estagnação, à acomodação contra o risco de novas oportunidades, novos interesses, novo modo de viver. Muitas pessoas justificam tal tendência dizendo que não saem da relação infeliz por pretenderem salvar o relacionamento e por serem persistentes.
Trata-se na verdade de uma grande teimosia. Todas as pessoas em volta já perceberam a realidade daquela relação, já sabem que ele ou ela não vai ser como gostaríamos, que o respeito e o amor já acabaram e continuamos com uma cegueira metódica para não tornarmos uma decisão. Até a procura a uma terapia de casal pode, em determinados casos, significar um truque para não mudar. Procurar uma terapia, buscando a verdade é extremamente salutar. Ela pode nos ajudar a ver a realidade e nos encaminhar para a felicidade. Procurá-la para preservar relações dolorosas, para “salvar” o casamento, para segurar o parceiro, para manipular e controlar o outro é transformá-la em mais um instrumento do jogo do casal.
MEDO DA SOLIDÃO – A maioria das pessoas parte de um pressuposto falso na vida, de que se tiver alguém como parceiro, será automaticamente feliz. Que o namoro, o casamento nos levam necessariamente à felicidade. Isso na prática não acontece. O que nos faz felizes são relações respeitosas, alegres, na base da admiração e companheirismo. Quando faltam esses ingredientes, sofremos. Partindo, porém do pressuposto falso, ao invés de batalharmos relações sadias, gastamos todas as nossas energias para conservar e manter as pessoas conosco. Daí o medo da solidão, o medo de ficar sozinho. Nesse caso não estamos na vida para sermos felizes, mas para “termos” alguém.
Preservar a relação a qualquer preço passa a ser o nosso único proposto e a fantasia de conseguir mudar o parceiro nos mantém atrelados a ele. É claro que a separação não é a única saída para um relacionamento complicado. Se ainda há respeito, admiração e afeto, apesar das dificuldades, a relação pode ser tratada. Vale a pena tentar inúmeros caminhos de aprendizagem e de mudança. O que não vale é acostumar-se ao sofrimento e a partir de uma excessiva auto-proteção, perpetuar-se em relações infelizes. O que não vale é viver morrendo em nome de um amor que já acabou e fechar o coração para novas oportunidades.
Estamos na vida para sermos felizes ou para estarmos com alguém?

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